Autor do Projeto Paulo Mendes da Rocha
Data do Projeto : 1986
Data da Obra : 1987/95
Arquitetos Colaboradores
Alexandre Carlos Penha Delijaicov, Carlos José Dantas Dias, Geni Takeuchi Sugai, José Armênio de Brito Cruz, Pedro Mendes da Rocha, Rogério Marcondes Machado e Vera Lúcia Domschke.
ARQUITETURA MODELANDO A PAISAGEM
Quantos arquitetos podem ser reconhecidos por seu estilo? Como seu colega de geração Álvaro Siza e o mais jovem Tadao Ando, entre outros, Paulo Mendes da Rocha é um dos grandes arquitetos que desenvolvem uma linguagem personalizada, independentemente de tipologia ou escala de intervenção arquitetônica. Sua obra é de imediato reconhecimento, capaz de arquiteturas com impressionante inserção na paisagem, de maneira criativa e provocadora.
Preservou, à sua maneira, suas afinidades com a arquitetura brasileira dos anos 1950/60. Daí sua polêmica posição no atual quadro arquitetônico : avesso ao oportunismo das grandes revisões de pensamento geradas pela polêmica do pós-moderno, criticado pelos racionalistas ortodoxos e funcionalistas pragmáticos, e desalinhado com as correntes mais nítidas da arquitetura internacional.
A visão arquitetônica de Paulo Mendes da Rocha está impregnada de uma necessidade de modernidade condizente de um ideal de Brasil. Mas modernidade sem a perda de uma identidade universal, ou o que a modernidade tem em comum com todas as culturas ocidentais.
O domínio tecnológico como processo emancipador, a elaboração de estéticas que contenham níveis de racionalidade, dando expressão de beleza às necessidades, o olhar e o pensar o cotidiano e a vida em suas dimensões essenciais são utopias que permeiam o trabalho do arquiteto brasileiro.
Esse essencialismo é uma das chaves de entendimento da obra de Paulo Mendes da Rocha: uma intuição que busca apreender não só as características estruturais comuns da coisas, mas a unidade superior que relaciona a arquitetura, a arte, a política, a vida. É um antinominalismo explícito.
(Hugo Sagawa)
Texto de Hugo Sagawa, revista Projeto - Março 1995
O Mube está num bairro de São Paulo cuja normativa urbanística deriva de alguns princípios das cidades-jardins : são terrenos para construção de residências isoladas no lote, com previsão de generosa arborização.
A avenida Europa (uma das ruas que definem o lote triangular do museu) tem um significado peculiar : ela atravessa a cidade do seu centro até o rio Pinheiros, um dos vales importantes na geomorfologia de São Paulo. Uma grande viga protendida de 60 metros de vão livre situa-se exatamente perpendicular a essa via, assinalando a presença do museu e fazendo-se referência na paisagem.
Referência necessária porquanto a solução dissolve por completo não só a noção de edifício como também a de lote.
O Museu Brasileiro da Escultura não emerge no sítio como uma caixa fechada. A viga não é o edifício; as fachadas desdobram-se em múltiplos planos - não há elevação principal, lateral, frontal. O território é definido por uma elaboração de superfícies em sucessão ou interrompidas, um continuum estabelecendo a concordância entre as duas ruas adjacentes como um passeio, ou um singelo parque-jardim público.
O museu é tanto uma esplanada externa formado por uma praça alta e outra baixa, como também dependências semi-enterradas, com grande salões que obedecem a um princípio de continuidade exterior-interior mediante rampas, escadas e luz natural zenital e lateral. Uma gentileza urbana e penetrável, enfim.
O museu é em si uma paisagem modelada, estabelecendo referências urbanas, visuais e de escala em contraste com seu entorno, e que não se atém a noção convencional de um volume elevado sobre um terreno.
O Museu é peculiar em seu funcionamento : o terreno, de pequenas dimensões
(cerca de 6900 metros quadrados) para uma instituição dessa natureza, não permite abrigar tantas obras escultóricas, qualquer que seja seu porte e independentemente de quanto se construa. Uma de suas finalidades é gerenciar o conhecimento sobre a criação escultórica,registrar, orientar e promover eventos relacionados a atividade artística em geral.
Com exceção das dependências técnicas (para as quais há a previsão de um anexo, projetado mas ainda não construído) toda a parte expositiva do museu foi concebida com espaços amplos, livres, destinados aimprovisação e criatividade museológica.
As visuais e os espaços são sequenciais e neutros, mas não desprovidos de intenções - num difícil equilíbrio entre atribuir um caráter marcante à arquitetura sem renunciar à adequada apresentação da obra de arte, qualquer que seja seu suporte ou materialidade : pintura, escultura, instalação,
papel, aço....
Veja as plantas do MuBE.
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